Neste semestre, na Unidade de Produção Pedagógica (UPP) de Promoção e Educação da Saúde do sexto semestre do Bacharelado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as atividades foram em torno de visitas às casas de passagem, meu grupo realizou atividades de intervenção no
Abrigo João de Barro. A rica experiência nos possibilitou considerações e observações em aula nos trouxeram ao debate
os seguintes aspectos:
·
Impressão geral sobre a proposta de intervenção para a
promoção da saúde;
·
Identificação de temáticas para o semestre e as seguintes
propostas de intervenção:
a) O papel do
profissional da Saúde Coletiva.
b) O aspecto
comunicativo nas intervenções.
c) Conceitos de
promoção e educação em saúde de pessoas em situações de risco e vulnerabilidade.
Atualmente o abrigo João de Barro está localizado em uma casa no bairro Cristal, na zona sul de Porto Alegre/RS, o qual abriga 18 adolescentes (sete estão no
abrigo, seis estão na FASE e cinco estão evadidos). Há quatro plantões, com
três educadores, quatro articuladores, uma técnica em enfermagem, dois
vigilantes, duas cozinheiras e uma assistente social, por plantão. Os
adolescentes são do gênero masculino entre 14 e 18 anos, oriundos de
comunidades carentes de Porto Alegre.
Foram realizadas uma visita técnica e quatro intervenções, a primeira aconteceu dia 24 de abril de 2014, realizamos uma
dinâmica de perguntas e respostas envolvendo temas como: saúde e ambiente, autocuidado,
saúde e esporte, motivações e anseios. Obtivemos êxito na interlocução com os
meninos, eles foram bem receptivos e participativos, ao final servimos uma cachorro quente e comemoramos o aniversário de um dos jovens da casa e um dos integrantes do nosso grupo.
A segunda intervenção foi realizada dia 22
de maio de 2014, realizamos outra rodada de conversa e levamos sobremesas à pedido dos meninos da casa, pois percebemos que chegávamos logo após do jantar.
A terceira
intervenção ocorreu no dia 05 de junho de 2014, com lanches típicos de festa
junina, bandeirinhas para enfeitar a casa e a oficina de grafite em MDF. Proporcionamos uma festa junina, com lanches típicos e ao mesmo tempo fizemos uma oficina de grafite que teve a participação da maioria dos meninos. Ainda contextualizamos a diferença entre grafite e pichação, na tentativa de uma pequena reflexão sobre cidadania.
A quarta intervenção ocorreu quinta-feira (03/07/2014) e fizemos uma
oficina de direitos humanos com os educadores e oferecemos um lanche dietético
para os meninos, dada a situação de que fomos avisados no final do semestre pela
técnica de enfermagem de que um dos meninos possuí Diabetes Mellitus tipo II, a
mais nociva e na condição crônica da necessidade de insulina. Após o lanche da
terceira intervenção o adolescente com hiperglicemia, foi parar no pronto
atendimento mais próximo.
Na passagem “como campo de
conhecimentos, a Saúde Coletiva requer a contribuição específica das disciplinas
biológicas e sociais e a participação dos profissionais destas áreas. Aí reside
uma peculiaridade epistemológica desse campo de saber, que confere a ele
riqueza intelectual no sentido da universalidade do conhecimento, na melhor
tradição iluminista” (ELIAS, 2003, p.168) Paulo Elias, militante e médico sanitarista,
professor da USP, falecido em 2011, me sintetiza o entendimento prático, de que
não precisamos desvalidar às práticas tradicionais voltadas ao campo da saúde,
muito pelo contrário, isso seria até um pecado, então na realidade não devemos,
o que nos compete é compreender e
equacionar essas questões de maneira estratégica, seja em que esfera estaremos atuando de modo
a integralizá-las, seguindo é claro as premissas do Sistema Único de Saúde Brasileiro
e das questões colocadas lá atrás nos anos 80, na Conferência Nacional de
Saúde, ocorrida em Brasília, ato que reuniu diversos atores do movimento
Sanitarista, desde usuários, profissionais da saúde, políticos e lideranças
populares, intelectuais e alavanca a Reforma Sanitária no país. Foi de
suma importância refletir lado-a-lado com esta população sobre todas as
questões abordadas ao longo da graduação, pois constatamos que sim, existe
espaço para atuarmos e que aproveitem talvez a maior competência e ou
habilidade que adquirimos ao longo do curso, o olhar ampliado, integralizado,
olhar para o sujeito como um ser imperfeito, cheio de defeitos mas que tem
necessidades não só em saúde mas também de qualidade de vida que incorpora
tantos outros conceitos.
.jpg)





